Santa Demissão!

September 25, 2017

 

Ser desligado da empresa é quase sempre um processo doloroso, mas também pode ser o início de uma nova vida (e melhor!)

 

Em boa parte das vezes o trabalhador é pego de surpresa. O patrão chama na salinha, fecha a porta e solta: “então… eu estou te demitindo”.

Desde o começo do ano isso já aconteceu com muita gente. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre foram 14,2 milhões de desempregados, recorde no Brasil.

 

Para muitos, o mundo desaba. O que sobra é choro e lamentação. Às vezes uma demissão poder ser tão traumática a ponto de desmotivar até os mais competentes.

Mas em meio à maré ruim existem as exceções. Gente que soube transformar demissão em motivação. São profissionais que resolveram agir em vez de sentar e reclamar. Um exemplo é o empresário Ricardo Sciarretta.

 

Ricardo administrava uma empresa. E quando a crise começou a mostrar as garras, ele acabou demitido. Mandou mais de duzentos currículos, mas por ironia, não conseguiu emprego por conta do que tinha der melhor.

 

“As pessoas nem me chamavam para entrevista porque diziam que eu era muito qualificado e meu salário teria que ser alto”, lembra.

Sem perspectiva, ele começou a procurar na internet algo interessante para vender. Acabou encontrando um modelo de espeto giratório movido a pilha. Ricardo comprou 10 peças, colocou no carro e saiu pela região vendendo em açougues e lojas de material de construção. Logo em seguida começou a vender também tábuas para churrasco.

 

Mas a grande virada foi quando ele começou a vender pela internet. No início ele só despachava a mercadoria depois que o cliente depositava na conta. Mas percebeu que o negócio precisava ser incrementado. “Tem muita gente que não confia em comprar pela internet pelo depósito em conta. Então eu montei uma loja virtual para poder receber via boleto e cartão”, explicou.

 

 

Atualmente, Ricardo tem uma loja física, a RS Utilidades, com mais de 500 itens que inclui peças para churrasco, pet shop, pescaria, utilidades domésticas, entre outros. Mas segundo ele, 99% das vendas são pela internet. “Antes eu vendia de carro para 15 cidades da região. Agora eu vendo para o Brasil”.

Quando a reportagem estava na loja dele, a Van dos Correios estava pegando as dezenas de peças vendidas no dia.

 

Para os que perderam o emprego diante da crise, Ricardo dá um recado. “A pessoa pode até não encontrar emprego na área de atuação dela. Mas se estiver disposta a fazer outra atividade, sempre vai aparecer algo diferente. É só querer trabalhar”.

Mudança de Habito

 

Uma demissão pode acontecer por vários fatores como crise econômica, mudanças na empresa ou até uma instabilidade política. Mas em boa parte dos casos, os motivos são gerados pelo comportamento de quem é demitido. E quando isso acontece é preciso fazer uma reflexão profunda e honesta para identificar quais são esses comportamentos e o que fazer para evita-los dali em diante.

 

Carlos Nascimento, dono da YPY Soluções, trabalha como coach. Com formação sólida no Brasil e no exterior, ele afirma que é possível tirar proveito de uma demissão desde que haja entendimento comportamental. Em resumo, para mudar no trabalho é preciso mudar em outras áreas da vida.

 

“Não existe duas pessoas. A pessoa da empresa é a mesma da família, das relações de amizades, ela é uma só. O que existe é o que chamamos de encapsulamento neurológico dessa pessoa em determinados cenários, ou seja, no trabalho há um determinado comportamento encapsulado pelas regras da empresa.

 

Mas a personalidade, a essência comportamental do ser humano é sempre única. O demitido precisa entender que no seu dia a dia, ele repete os mesmos comportamentos que tinha dentro da empresa a qual pertencia”.

 

De acordo com Nascimento, a demissão, caracterizada muitas vezes pela dor da ruptura, é um ótimo momento para que a pessoa se reinvente. “Inclusive para empreender. Muitas vezes a pessoa acaba se descobrindo, por necessidade de sobrevivência, outras vertentes de sua concepção de liderança. É quando alguns deixam o mercado corporativo para empreender”.

 

Mas o processo de reinvenção não pode ser feito de qualquer modo. Nossa reportagem preparou um infográfico com dez perguntas que precisam ser respondidas de forma objetiva antes de se reinventar.

 

Além disso, Nascimento destaca que esse processo deve ser sempre acompanhando por outra pessoa, seja ela um coach, um psicólogo, ou até mesmo um parente ou amigo.

 

“O desejo de mudança pode vir contaminado por vícios corporativos e pessoais que o profissional carrega ao longo da vida. É preciso dividir essa transição para que a pessoa (que irá acompanhar) aponte as fragilidades que não estão sendo enxergadas”.

 

E como se livrar do estigma de incompetente que muitos carregam depois de uma demissão? Segundo o coach, uma boa resposta é analisar o que o físico alemão Albert Einstein disse. “Ele (Einstein) afirmou que fazer as coisas da mesma forma geram sempre os mesmos resultados e isso pode gerar um vazio muito grande trazendo um sentimento de incompetência. A saída é agir diferente para obter novos

resultados”.

 

Apostar na inteligência emocional é um dos caminhos. Para Nascimento, a formação acadêmica continua sendo muito importante. Mas sozinha ela não consegue resolver os problemas corporativos. “Nosso cérebro é muito fácil de ser moldado. Mas ao longo do tempo, ele foi moldado para atingir níveis baixos de produtividade. É preciso reprogramar o cérebro para altas performances. E para isso é preciso potencializar a inteligência emocional”.

 

O cabeleireiro Nilson Souza Assunção é outro que agora agradece por ter sido demitido. Durante seis anos, ele trabalhou das 7h às 17h em uma lavanderia e recebia R$ 750 por mês. Para complementar a renda, cortava cabelo na garagem de casa depois do expediente. “Mas era tudo muito improvisado. Tinha só um espelhinho pequeno e a cadeira era a da cozinha. Nem máquina profissional eu tinha naquela época”, lembra.

Alguns amigos até aconselhavam para que ele se dedicasse exclusivamente à profissão de cabeleireiro. Mas Nilson tinha medo. “Eu pagava aluguel. Tinha receio de passar alguma dificuldade, de não dar certo e até de faltar alimento dentro de casa”, disse.

 

O medo durou até a lavanderia fechar as portas. E nesse mesmo dia, uma cabeleireira desocupou um prédio onde funcionava o salão dela. Foi quando Nilson recebeu o apoio da esposa Alessandra. “Ela me deu muita força. Eu estava com medo de assumir o aluguel e não conseguir pagar. Mas ela me encorajou”.

 

E deu certo. Nilson hoje tem casa própria, carro e vive de um jeito mais tranquilo com a mulher e os três filhos. Mas trabalha duro. Ele já chegou a fazer mais de 80 cortes em um só dia. “Tem que se apegar a Deus e não ter medo de errar. Quem é demitido tem que acreditar em si mesmo e seguir adiante, sem ficar se lamentando”.

 

 

Matéria feita pelo Jornalista Rodrigo Garavini

 

 

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